sexta-feira, 3 de maio de 2013

Yahweh ou Javé: A origem do deus de Israel

Introdução

Como muitos devem saber Yahweh (ou Javé, Iavé ou Jeová) é o deus nacional da chamada Era do Ferro dos reinos de Israel e Judá. As origens da adoração de Yahweh são obscuras, mas o que se sabe é que sua veneração pode remontar o último período tardio da era do Bronze. Para saber mais sobre as chamadas "Era do Ferro" e "Era do Bronze" pesquise na Internet, ou em em livros especializados em história antiga da região conhecida como Levante.

O nome de Yahweh começa como um epíteto do deus cananeu El, que era a deidade chefe do panteão cananeu da era do Bronze de Canaã. "El, aquele que está presente, ou aquele que se manifesta pessoalmente". Há a hipótese de que Yahweh tenha sido um deus do Norte da Arábia (segundo a hipótese dos Queneus). Em qualquer um dos casos, o que é bem claro é que Yahweh aparece como nome único, tanto para Israel e para Judá. O que não está claro é se esse nome era conhecido fora destes dois reinos.

Na literatura bíblica antiga (cuja tradição remonta os séculos 12 ou 11 antes de Cristo), Yahweh é um típico deus guerreiro do Leste, e divindades desse tipo eram comuns naquela região. Yahweh conduzia o exército celestial contra os inimigos de Israel. O que diferencia a história de Yahweh e de Israel é que ambos tinham um pacto, um fato único naquela região. As condições é que Yahweh protegeria Israel, e Israel por sua vez não adoraria outros deuses. Em um período tardio a veneração à Yahweh funcionou como um culto dinástico (o deus de uma realeza), e a corte real o promoveu como um deus supremo acima de todos os outros deuses do panteão, incluindo Baal, El e Asherah. A deusa Ashera, segundo o que as escavações arqueológicas mostraram, e segundo a opinião de eruditos bíblicos, era venerada como a esposa de Yahweh. Em um dado momento o Javismo (como é chamado o culto exclusivo à Yahweh ou Javé) se tornou excessivamente intolerante aos rivais, e a realeza e o templo promoveram Yahweh como deus de todo o Universo, possuindo todas as qualidades previamente positivas de todos os outros deuses e deusas. Com os escritos do Dêutero Isaías (que é o segundo autor do livro de Isaías), a existência dos deuses estrangeiros foi negada, e Yahweh foi proclamado como criador do Cosmos, e deus de todo o Mundo.

Nos tempos bíblicos posteriores, a pronúncia do nome de Yahweh foi cessando. No Moderno Judaísmo, este nome foi substituído por "Adonai", que significa Senhor. Isso deve ser entendido como sendo o nome próprio de Deus, e que indica sua misericórdia. As bíblias cristãs seguem a tradição judaica, e usam o título Senhor. O Vaticano baniu o uso de Yahweh na adoração vernacular em 2008, e a chamada Congregação para a Adoração Divina e Disciplina dos Sacramento orienta que a palavra Senhor e seus equivalentes em outras línguas sejam usados. A despeito disso, o Movimento do Sagrado Nome, em atividade desde 1930, propaga o uso do nome Yahweh nas translações bíblicas e liturgia.

Na Bíblia hebraica, o nome do deus de Israel aparece como YHWH (forma latinizada), em virtude do hebraico bíblico usar apenas consoantes. A pronúncia original de YHVW se perdeu séculos atrás, mas as evidências disponíveis indicam que era algo parecido como "Yahweh", cujo significado aproximado é "Ele que causa ser" ou "Ele que cria (criação)". Como foi dito acima, as origens deste deus são incertas e obscuras, mas uma hipótese, que não é universalmente aceita, é que o nome originalmente formava parte de um título de El, que é o deus cananeu supremo. Este título era El Du Yahwi Saba'ôt, "El, aquele que cria os exércitos", significando que o exercito celestial acompanha El, quando ele marchava com os exércitos terrestres de Israel. Uma hipotese alternativa conecta o nome do deus de Israel como um nome de lugar ao sul de Canaã, que é mencionado em gravações egípcias da Idade do Bronze tardia.

As evidências arqueológicas sugerem que os israelitas surgiram internamente e pacificamente nas terra de Canaã. Nas palavras do arqueologista William Dever: "Muitos daqueles que se chamavam a si mesmo de Israelitas eram nativos ou aborígenes canaanitas". O que distingue Israel de outras sociedades e povos que surgir na Era do Ferro de Canaã é a crença em Yahweh como deus nacional, ao invés de, por exemplo, Quemós, o deus de Moabe, ou Milcom, o deus dos Amonitas. Como hoje se sabe, o hebraico, o moabita e o amonita são idiomas parecidos, e os moabitas talvez até falassem o hebraico.

Numerosas evidências conduziram os escolásticos e eruditos à conclusão de que El era o deus original de Israel. Por exemplo, a palavra "Israel" é baseada no nome de El ao invés de Yahweh. El era o deus chefe do panteão canaanita, com a deusa Ashera como sua consorte, e Baal e outras divindades também fazendo parte do panteão. Yahweh surgiu então como um deus guerreiro, originário da região de Edom ou Midiã, no sul de Judá, e foi introduzido ao norte e nas terras centrais das tribos por tribos tais como os Queneus. O erudito K. Van der Toorn sugeriu que o surgimento de Yahweh em Israel foi devido à influência de Saul, o primeiro rei de Israel, que segundo os próprios textos bíblicos tinha uma ascendência edomita. Em dado momento, Yahweh se identificou com El a tal ponto que a palavra El se tornou uma palavra genérica significando simplesmente "deus". Asherah então se tornou a consorte de Yahweh, com o mesmo Yahweh e Baal coexistindo à um primeiro momento, e rivalizando depois.



O culto de Yahweh e a Monarquia

No período monárquico, o rei funcionava como chefe da religião nacional. Os reis usavam a religião nacional para exercer a sua autoridade, mas outros deuses além de Yahweh continuavam a serem adorados. Evidências sugerem cada vez mais que muitos israelitas adoraram Asherah como consorte (esposa) de Yahweh.

Os arqueólogos e estudiosos históricos usam uma variedade de maneiras de organizar e interpretar a informação iconográfica e textual disponíveis. William G. Dever contrasta a"Religião / Religião de Estado / religião do livro oficial" da elite com a "religião popular" das massas. Rainer Albertz contrasta a "religião oficial" com a "religião da família", "piedade pessoal" e "pluralismo religioso interno". Jacques Berlinerblau analisa as evidências em termos de "religião oficial" e "religião popular" no antigo Israel.


Patrick D. Miller distinguiu três grandes categorias de Javismo:o Ortodoxo, o Heterodoxo e o Sincrético. O Javismo Ortodoxo exigia o culto exclusivo de Yahweh (embora sem negar a existência de outros deuses). Os poderes da bênção (saúde, riqueza, continuidade, fertilidade) e salvação (perdão, vitória, libertação da opressão e ameaça) residia totalmente em Yahweh, e sua vontade foi comunicada via oráculo e visão proféticas ou auditivas. Adivinhação e Necromancia  foram proibidos. O indivíduo ou comunidade poderia clamar à Yahweh e receberiam uma resposta divina, mediada por figuras sacerdotais ou proféticas.

Santuários foram erguidos em vários lugares e foram usados para expressar a devoção a Yahweh por meio de sacrifício, refeições festivas e celebrações, oração e louvor. Perto do final do século VII a.C. em Judá, a adoração a Yahweh era restrito ao templo em Jerusalém, enquanto os principais santuários do reino do norte estavam em Betel (perto da fronteira sul) e Dan (no norte). Certas épocas foram definidas para a reunião do povo para celebrar as dádivas de Yahweh, e os atos da divindade de libertação e redenção.

Tudo no reino moral era entendido como uma parte da relação com Yahweh como numa manifestação de santidade. As relações familiares e o bem-estar dos membros mais fracos da sociedade eram  protegidos pela lei divina, e a pureza de conduta, vestuário, alimentos, etc foram regulamentados. A liderança religiosa residia em sacerdotes, que foram associados com os santuários, e também nos profetas, que eram portadores de oráculos divinos. Na esfera política, o rei foi entendido como o delegado e agente de Yahweh.

O Javismo Heterodoxo é descrito por Miller como uma mistura de elementos do Javismo ortodoxo com as práticas particulares que conflitavam com o mesmo javismo ortodoxo, ou não eram habitualmente uma parte dele. Por exemplo, O javismo heterodoxo contou com a presença de objetos de culto rejeitados pelos expressões ortodoxas, como  Asherah, estatuetas de vários tipos (fêmeas, cavalos e cavaleiros, animais e pássaros, e os bezerros e touros do Reino do Norte. Os " lugares altos "como centros de culto parecem ter movido de um lugar aceitável dentro do Javismo a um estado cada vez mais condenado nos círculos oficiais e ortodoxos. Esforços para saber o futuro ou a vontade da divindade também pode ser entendidos como heterodoxos se fossem fora dos limites do Javismo ortodoxo, e até mesmo comumente aceito que o mecanismo revelador como sonhos poderia ser condenado se a mensagem resultante foi percebido como falsa. Consulta de médiuns, magos, adivinhos foram muitas vezes utilizadas por Javistas heterodoxos.

O Sincretismo inclui a adoração de Baal, os corpos celestes (sol, lua e estrelas), a "Rainha do Céu" e outras divindades, bem como outras práticas, como o sacrifício de crianças. Outros deuses eram invocados e servidos na hora da necessidade ou bênção e provisão para a vida, quando o culto de Yahweh parecia inadequado para esses fins. Evidências cada vez mais maiores sugerem que muitos israelitas adoravam Asherah como a consorte de Yahweh, e várias passagens bíblicas indicam que as estátuas da deusa eram mantidas em templos de Yahweh em Jerusalém, Betel e Samaria. Outra evidência inclui muitas figuras femininas descobertas no antigo Israel, apoiando a visão de que Asherah funcionava como uma deusa e consorte de Yahweh, e era adorada como a Rainha dos Céus.




                           Yahweh representado em inscrição hebraica (século VIII a.C.): 
                           “Eu te abençoou por Yahweh de Samaria e sua Asherah

 


O culto de Yahweh depois da monarquia

Após a destruição da monarquia e da perda da terra no início do século 6 (o período do exílio babilônico), uma busca por uma nova identidade levou a um re-exame das tradições de Israel. Yahweh agora se tornou o único Deus no cosmos.

Israel e Judá Antigos


Tem sido tradicionalmente acreditado que o monoteísmo era parte do pacto original de Israel com Yahweh no Monte Sinai, e a idolatria criticada pelos profetas era devido a apostasia de Israel. Mas durante o século 20, tornou-se cada vez mais reconhecido que a apresentação da Bíblia levanta uma série de perguntas: Por que os Dez Mandamentos declaram que não deve haver outros deuses "antes de mim" (Yahweh), se não há outros deuses em tudo? Por que os israelitas cantam na travessia do Mar Vermelho que "não há nenhum deus como tu, ó Yahweh?" [Ex 15:11] o que implica que existem outros deuses? Estas observações eventualmente derrubaram a crença de que Israel sempre tinha adorado Yahweh, e nenhum outro deus mais.

Evidências de adoração israelita de deuses cananeus aparecem tanto na Bíblia e no registro arqueológico. Referências respeitosas à deusa Asherah ou a seu símbolo, por exemplo, como parte do culto à Yahweh, são encontrados nas inscrições de Kuntillet Ajrud e Khirbet el-Qom, do século VIII, e as referências aos deuses cananeus Resheph e Deber ("peste" e "praga") aparecem sem críticas em Habacuque 3:05, como parte da comitiva militar de Yahweh. O "Exército do Céu" também é mencionado sem críticas em 1 Reis 22:19 e Sofonias 1:05. O deus El também é constantemente identificado com Yahweh.

Israel herdou o politeísmo do final do primeiro milênio de Canaã, e a religião cananéia, por sua vez, teve suas raízes na religião de Ugarit do Segundo Milênio. No segundo milênio, o politeísmo foi expresso através dos conceitos do Conselho Divino e Família Divina, uma entidade única, com quatro níveis: o deus principal e sua esposa (El e Asherah), as setenta crianças divinas ou "estrelas de El" ( incluindo Baal, Astarte, Anat, e provavelmente Resheph, bem como a deusa-sol Shapshu e o deus-lua Yerak), o ajudante chefe da família divina, Kothar wa-Hasis, e os servos da casa divina, incluindo os deuses-mensageiros  que mais tarde aparecem como os "anjos" da Bíblia hebraica.


No estágio inicial, Yahweh era um dos setenta filhos de El, cada um dos quais era o patrono de uma das setenta nações. Isto é ilustrado pelo Manuscritos do Mar Morto e pelos textos da Septuaginta de Deuteronômio 32:8-9, em que El, como o chefe da assembléia divina, dá a cada membro da família divina, uma nação de seu próprio ", de acordo com o número de os filhos divinos ": Israel é a parte de Yahweh. O texto massorético tardio, evidentemente desconfortável com o politeísmo expresso pela frase, alterou-o para "de acordo com o número dos filhos de Israel"  Os estudiosos Keil e Delitzsch observam que a interpretação da Septuaginta é de nenhum valor crítico, que se baseia sobre a noção judaica de anjos da guarda das diferentes nações (Sir. 17: 14), que provavelmente se originou em um mal-entendido de Deuteronômio 04:19, quando comparado com Daniel 10:13, Daniel 10:20-21 e Daniel 0:01.

Entre o oitavo para o sexto séculos El tornou-se identificado com Yahweh, e Yahweh-El se tornou o marido da deusa Asherah, e os outros deuses e os mensageiros divinos gradualmente tornaram-se meras expressões do poder do Yahweh. Yahweh está escalado para o papel do Rei Divino decidindo sobre todas as outras divindades, como no Salmo 29:2, onde os "filhos de Deus" são chamados a adorar Yahweh, e como Ezequiel 8-10 sugere, o próprio Templo tornou-se palácio de Yahweh, povoado por aqueles em sua comitiva.

É neste período que as primeiras declarações monoteístas claras aparecem na Bíblia, por exemplo,  aparentemente no Deuteronômio do século VII 04:35, 39, 1 Samuel 02:02, 2 Samuel 07:22, 2 Reis 19:15, 19 (= Isaías 37:16, 20), e Jeremias 16:19,20 e a parte do século VI de Isaías 43:10-11, 44:6, 8, 45:5-7, 14, 18, 21 e 46:9. Porque muitas das passagens envolvidas aparecem em trabalhos associados ou no Deuteronômio, a história deuteronomista (Josué a Reis) ou em Jeremias, trabalhos acadêmicos mais recentes têm sugerido que um movimento deuteronomista deste período desenvolveu a ideia do monoteísmo como uma resposta aos questões religiosas do seu tempo.


O primeiro fator por trás desse desenvolvimento envolve mudanças na estrutura social de Israel. Em Ugarit, a identidade social foi mais forte no nível da família: documentos legais, por exemplo, eram feitos muitas vezes entre os filhos de uma família e os filhos de outra. A religião de Ugarit, com sua família divina liderado por El e Asherah, espelhavam esta realidade humana. O mesmo aconteceu no antigo Israel durante a maior parte da monarquia, por exemplo, a história de Acã em Josué 8 sugere uma família como a principal unidade social. No entanto, as linhagens familiares passaram por mudanças traumáticas começando no século VIII, devido à grande estratificação social, seguida por incursões dos assírios. Nos séculos VII e VI, começamos a ver as expressões de identidade individual (Deuteronômio 26:16, Jeremias 31:29-30, Ezequiel 18). Uma cultura com um sistema de linhagem diminuída, deterioração durante um longo período a partir dos nono ou oitavo século, menos embutido em patrimônios familiares tradicionais, podem ser mais predispostos tanto para manter o indivíduo responsável por seu comportamento, e ver uma divindade individual responsável pelo cosmos. Em suma, o surgimento do indivíduo como a unidade social básica levou ao surgimento de um único deus substituindo uma família divina.

O segundo fator importante foi o surgimento dos impérios neo-assírio e neo-babilônicos. Enquanto Israel foi, desde o seu próprio ponto de vista, parte de uma comunidade de nações pequenas e semelhantes, fazia sentido para ver o panteão israelita em pé de igualdade com as outras nações, cada uma com o seu próprio deus patrono, tal como no quadro descrito com Deuteronômio 32: 8-9. O pressuposto por trás dessa visão de mundo é que cada nação era tão poderosa quanto o seu deus patrono. No entanto, a conquista neo-assíria do Reino do Norte de Israel em  722 a.C. contestou isso, pois se o império neo-assírio era tão poderoso, então assim deve ser o seu deus, e, inversamente, se Israel poderia ser conquistado (e mais tarde Judá, em 586 d.C.), deu a entender que Yahweh era, por sua vez, uma divindade menor. A crise foi recebida pela separação do poder divino e reinos terrenos. Apesar da Assíria e Babilônia serem tão poderosas, o novo pensamento monoteísta em Israel fundamentado, isso não significava que o Deus de Israel e Judá era fraco. Assíria não tinha conseguido sucesso por causa do poder de seu deus Marduk, era Yahweh que estava usando a Assíria para punir e purificar uma nação que o próprio Yahweh tinha escolhido.

No período pós-exílico, o monoteísmo pleno surgiu: Yahweh era o deus único, e não apenas de Israel, mas de todo o mundo. Se as nações eram instrumentos de Yahweh, então o novo rei que viria redimir Israel poderia não ser um judeu, como ensinado na literatura antiga (por exemplo, o Salmo 2). Agora, mesmo um estrangeiro como Ciro, o persa,  poderia servir como o ungido do Senhor (Is 44:28, 45:1). Um deus estava por trás de toda a história do mundo.



Os Papiros de Elefantina e Anat-Yahu

Os papiros de Elefantina do quinto século a.C. sugerem que "Mesmo no exílio, e mais além, a veneração de uma divindade feminina foi mantida". Os textos foram escritos por um grupo de judeus que viviam em Elefantina, perto da fronteira Nubian, cuja religião tem sido descrita como "quase idêntica à da Idade do Ferro II da religião judaica". O papiro descreve os judeus como adorando Anat-Yahu (ou AnatYahu). Anat-Yahu é descrita como a mulher (ou paredra, consorte sagrada) de Yahweh, ou como um aspecto hipostasiada de Yahweh.



 Yahweh nas religiões abraâmicas


Muitos judeus, cristãos e muçulmanos, sem dúvida são ofendidos pela idéia de que Yahweh apareceu historicamente como um outro deus entre muitos deuses pagãos:

     A ideia de Deus mudando parece uma contradição em termos, porque Deus é suposto ser absoluto, eterno e sagrado, e no fato de que a realidade sagrada essencial não muda, mas a forma como as pessoas a expressam ao longo dos anos faz mudança.

     -Karen Armstrong, Uma História de Deus, A & E Television Networks, 2001



O uso do nome Yahweh na religião contemporânea

No judaísmo moderno

No judaísmo moderno, o tetragrama YHWH é convencionalmente substituído por Adonai ("Meu Senhor"), quando na leitura do texto da Bíblia. Os judeus deixaram de pronunciar o nome no período intertestamentário, substituindo-o pelo substantivo comum Elohim, "Deus", para demonstrar a soberania universal da divindade de Israel sobre todas as outras. Ao mesmo tempo, o nome divino era cada vez mais considerado como sagrado demais para ser pronunciado, e foi substituído no ritual falada pela palavra Adonai ("Meu Senhor"), ou com Hashem ("Nome") na fala cotidiana

Na Igreja Católica Romana

Tradicionalmente, na adoração e vernáculo em latim a palavra"Senhor" foi utilizada, seguindo o grego do Novo Testamento e da Septuaginta. Embora a representação do tetragrama YHWH como "Yahweh" seja encontrada no Antigo Testamento nas versões como a católica romana Bíblia de Jerusalém e Nova Bíblia de Jerusalém (1985), o uso litúrgico do Yahweh em adoração vernacular foi reprovado pelo Vaticano em 2008.  A Congregação vaticana para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos direção "que a palavra" Senhor" seja usada no lugar de Yahweh em adoração, e que o equivalente local ao latim Dominus (Senhor, Mestre) seja usado em toda a adoração vernacular, foi baseada no entendimento de que os judeus da época de Cristo (compare com o uso de “Kyrios” na Septuaginta, palavra grega para "Senhor") e também os primeiros cristãos usavam outras palavras, em vez de pronunciar este nome.

No Protestantismo

O estudioso da Bíblia e autor Charles Ryrie, autor do estudo do Ryrie Study Bible, diz que o nome "Yahweh" aparece 6.823 vezes no Velho Testamento, e também muitas vezes no Novo Testamento quando o é citado diretamente ou em passagens paráfrases do Antigo Testamento contendo o nome de Deus. Ele escreve que o nome "Yahweh" é particularmente associada com a santidade de Deus, [Lev 11:44,45] seu ódio ao pecado [Gênesis 6:3-7] e sua prestação de redenção. [Isa 53:1,5,6 , 10] Pode ser que as traduções contemporâneas da Bíblia não usam "Yahweh" por respeito à reverência judaica tradicional para este nome.

Quase todas as Bíblias (KJV, DRC, RSV, ESV, NASB, NIV, NJPS, NRSV, NAB, NABRE, CCD, NEB, REB, NKJV, etc.), com exceção da Bíblia de Jerusalém e da Nova Bíblia de Jerusalém, e em algumas raras traduções, como o Rotherham Emphasized Bible, substituem os títulos de "Senhor" e "Deus" em Versalete (SENHOR, DEUS), onde o Tetragrama aparece no hebraico. A American Standard Version de 1901, que é uma revisão da English Revised Version de 1881, derivada da King James Version, sempre usou o termo Jeová. O nome "Javé" não aparece nos textos mais populares das traduções da Bíblia em inglês no mercado hoje. Estudiosos Judeus da Bíblia introduziram esta tradição em meados do século 2 a.C. na tradução Septuaginta, e tem continuado desde então. Em 1611, a edição inaugural da King James da Bíblia não incluía o nome "Yahweh",pois os editores não esta ciente de sua interpretação, embora Jeová não apareça também várias vezes.

Existem alguns casos contemporâneos, onde a ortografia Yahweh entrou em uso religioso. O Movimento do Nome Sagrado, que é um pequeno movimento cristão, ativo desde os anos 1930, que propaga o uso do nome Yahweh nas traduções da Bíblia e na liturgia. As chamadas "Bíblias com o Nome Sagrado" são bíblias que interpretam o tetragrama YHWH por transliteração (ou iconograficamente através da inserção de escrita hebraica na tradução). Uma das primeiras bíblias nesse estilo é a Rotherham's Emphasized Bible ,de 1902. 

A Tradução do Novo Mundo das Testemunhas de Jeová sempre usa o nome "Jeová", e até mesmo o insere incorretamente no Novo Testamento em lugar do grego "kyrios" em muitos lugares.
 

Referências e indicações de leitura sobre este assunto:

The Religion of Ancient Israel, Patrick D. Miller, Westminster John Knox Press (2000)
The History of God, Karen Armstrong, Ballatine Books (Disponível em português)
God: A Biography, Jack Miles, Alfred A. Knopf, Inc (1996) (Disponível em português)
No other gods: Emergent Monotheism in Israel, Robert Karl Gnuse, T&T Clark, (1997)
Yahweh and the gods and goddess of Canaan, John Day

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